Três novos nomes foram hoje anunciados para o
Festival Músicas do Mundo de Sines, são eles:
Tinariwen | 30 Julho, Castelo de Sines
Formados em 1979, os Tinariwen têm uma longa história ligada à resistência, cultural, mas também de armas na mão, do povo tuaregue que vive no norte do Mali.
Hoje, em paz, são um dos raros grupos não ocidentais que, mantendo a integridade, conseguem competir com os grandes do rock no seu próprio jogo, tendo acabado de vencer, com “Imidiwan”, o seu quarto álbum, o prémio da revista Uncut para melhor disco de 2009, para o qual estavam nomeados Bob Dylan, Grizzly Bear e Animal Collective, entre outros.
As guitarras acústicas e eléctricas rasgadas, as hipnotizantes vozes e percussões tradicionais, com raízes na África Ocidental e no Magrebe, combinam-se num som cuja familiaridade com os blues e o rock não omite influências ocidentais mas é sobretudo um caso extraordinário de evolução paralela.
Ibrahim Ag Alhabib, voz e guitarra principais, fundou e dirige um grupo que marca a música do mundo início do séc. XXI.
U-Roy | 31 Julho, Av. Vasco da Gama
U-Roy, cognome “The Originator”, é a figura mais importante do “toasting”, estilo artístico de dee-jaying, com uma componente vocal e poética, que transformou o estatuto criativo do DJ no reggae, contribuindo também para a evolução do rap nos Estados Unidos.
Nascido em 1942, U-Roy começa a carreira nos “sound systems”, espécie de discotecas ambulantes, muito populares na Jamaica dos anos 50 e 60. No final da década de 60, torna-se o DJ principal de King Tubby, engenheiro de som a quem é atribuída a criação do “dub”, e grande parte da sua criação será realizada dentro desta estética.
Grava o seu primeiro single, “Earth’s Rightful Ruler”, com Peter Tosh, para o produtor Lee Perry, mas são os seus álbuns do final dos anos 70 (“Dread ina Babylon”, “Rasta Ambassador” e “Jah Son of Africa”) que lhe conferem uma posição destacada na história da música da Jamaica e na génese do movimento hip hop.
Cheick Tidiane Seck feat. Mamani Keita | 31 Julho, Castelo de Sines
Cheick Tidiane Seck é o maior teclista da música africana, além de um excelente guitarrista, cantor, compositor e arranjador.
Com uma carreira que remonta à Bamako dos anos 60, ao lado de Salif Keita e Mory Kanté na mítica Rail Band, Seck situa-se na confluência entre a tradição mandinga e as músicas afro-americanas, do jazz à soul.
Habituado a ceder a boca de cena aos grandes com quem trabalhou, teve no álbum “Sarala” (1995), que assinou com o pianista lendário Hank Jones, o primeiro momento de merecido protagonismo. Os dois discos que se seguiriam, “MandinGroove” (2003) e “Sabaly” (2008) confirmaram a força do seu pioneirismo e o seu lugar de pleno direito no povoado panteão da música maliana.
Neste concerto, é acompanhado pela cantora Mamani Keita, outra das principais figuras actuais da música de raiz mandinga. Antiga voz de apoio de Salif Keita, consegue, em 2002 a sua emancipação artística, gravando o primeiro disco a solo, “Electro Bamako”, música tradicional trabalhada com uma forte componente eléctrica. Quatro anos depois, com concepção e produção do guitarrista francês Nicolas Repac, edita “Yelema”, que trouxe ao FMM 2007, naquele que foi considerado pela crítica um dos melhores concertos da nona edição do festival.